09 de Maio de 2017

É tempo de acabarmos com o risco nuclear

Em 28 de fevereiro de 2017

Dado ao risco letal, mesmo que por acidente ou erro, de se detonar uma arma nuclear, mais uma vez exorto os líderes dos Estados Unidos e Rússia a dialogarem para que retirem as suas armas do alerta máximo e que façam progressos significativos na redução das armas atômicas.

"Devemos agarrar esta oportunidade para pôr um fim à era das armas nucleares"

Em dezembro passado, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução histórica que pedia o início de negociações de um tratado para a proibição dessas armas. A primeira conferência de negociação foi programada para ser realizada na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, em março, e encoraja os governos participantes a se esforçarem diligentemente para a rápida conclusão do tratado. Espera-se também a participação e contribuição de organizações internacionais e representantes da sociedade civil.


Devemos agarrar esta oportunidade para pôr um fim à era das armas nucleares. Atualmente, ainda existem mais de 15 mil ogivas nucleares no mundo. Os progressos pelo desarmamento nuclear se estancaram, enquanto os planos para a modernização dos arsenais nucleares progrediram. A ameaça representada pelas armas malignas está crescendo.


Gostaria de exortar dicussões construtivas nas negociações da ONU como também uma conferência entre os Estados Unidos e a Rússia quanto antes, para revitalizar o processo do desarmamento atômico.


Uma responsabilidade verdadeiramente importante recai sobre os ombros dos líderes desses dois países, que juntos possuem mais de 90 por cento dos arsenais nucleares do mundo, estes que ameaçam a vida de todos os habitantes da Terra e poderiam reduzir a cinzas as civilizações que a humanidade vêm construindo ao longo dos milênios.


Mais de vinte e cinco anos após o fim da Guerra Fria, a política de dissuasão nuclear ainda está em vigor, mas cerca de 1.800 armas nucleares estão em alerta máximo, o que significa que podem ser lançadas imediatamente.


O que de fato isto significa?


Em um discurso recente, o ex-secretário de Defesa dos Estados Unidos, William J. Perry, contou um episódio de sua época como subsecretário de Defesa na Administração Carter. Ele recebeu uma comunicação de emergência tarde da noite do oficial de vigilância do Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte (Norad), avisando que 200 mísseis soviéticos estavam em voo em direção aos Estados Unidos. Embora isso tenha sido rapidamente entendido como alarme falso, se esta informação estivesse certa, o presidente dos Estados Unidos teria apenas alguns minutos para tomar a decisão crucial de lançar ou não um contra-ataque nuclear.


A lógica da dissuasão exige que possa demonstrar prontidão para revidar a qualquer momento como meio de prevenir um ataque inimigo. Nessas condições, a guarda não pode ser baixada nem por um momento, e a ameaça de guerra atômica iminente é um fardo constante e inevitável.


Há sessenta anos, em 1957, o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, fez uma impactante declaração pela abolição das armas nucleares. Tanto os Estados Unidos quanto a União Soviética estavam testando bombas de hidrogênio, e a União Soviética tinha testado pouco antes com sucesso um míssil balístico intercontinental (ICBM).


O confronto nuclear entre os Estados Unidos e a União Soviética foi comparado na época a “dois escorpiões em uma garrafa”. O que esqueceram é que muitos outros países além dos Estados nucleares estavam também na mesma garrafa, junto com seus vários bilhões de habitantes.


Esta é a razão pela qual o Sr. Toda queria desafiar a idéia que justifica a possessão de armas nucleares. Ao afirmar severamente que “nós, cidadãos do mundo, temos o direito inviolável à vida”, declarou que era inadmissível que qualquer país ameaçasse este direito e que o uso de armas nucleares jamais seria justificável. Toda conclamou os jovens para assumir o desafio de abolir esta ameaça.


Dado ao risco letal, mesmo que por acidente ou erro, de se detonar uma arma nuclear, mais uma vez exorto os líderes dos Estados Unidos e Rússia a dialogarem para que retirem as suas armas do alerta máximo e que façam progressos significativos na redução das armas atômicas.


Também proponho que o Japão exerça papel ativo para criar um consenso nas negociações, com início a partir de março, para se concluir um tratado que diz respeito às armas desumanas, reconhecendo sua responsabilidade e missão histórica como o único país do mundo a ter sofrido um ataque nuclear em tempo de guerra, e trabalhe diligentemente para conquistar a maior participação possível nas próximas negociações, incluindo a dos Estados que possuem ou recorrem a essas armas.


É também importante assegurar as ligações com a primeira Comissão Preparatória da Conferência de Revisão do Tratado pela Não Proliferação de Armas Nucleares de 2020, que acontecerá em maio. Um tratado que proíbe o armamento nuclear compartilha do mesmo senso do TNP – uma profunda preocupação com os horrores de uma guerra nuclear – e o reforça.


O trabalho de estabelecer um tratado que proíba a produção, transferência, ameaça de uso ou uso dessas armas deve ser visto como iniciativa global, com o objetivo de evitar que qualquer país viva os horrores da guerra nuclear. Devem se esforçar diligentemente para encontrar a maneira de chegar a um consenso deste objetivo.


Também proponho aos agentes principais da sociedade civil que gerem declarações dirigidas às próximas negociações. Juntos, constituirão uma declaração popular para um mundo sem armas atômicas e servirão de base para um tratado que as proíba.


Organizações não governamentais e a sociedade civil desempenham papel vital para ilustrar e dar um rosto humano a problemas que são profundamente relevantes para todas as pessoas além das fronteiras nacionais – questões que talvez só seriam tratadas no contexto da política nacional.


Agora é o momento de expressarmos um forte apoio às futuras negociações e criarmos ímpeto para estabelecer este tratado histórico como uma forma única de lei internacional do povo para o povo.


Daisaku Ikeda é presidente da associação budista Soka Gakkai Internacional (SGI) e fundador do Instituto Toda para a Paz Global e Pesquisa Política. Estas ideias são detalhadas em sua Proposta de Paz 2017. Veja esta proposta na íntegra (em inglês) em www.sgi.org

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