11 de Agosto de 2016

Pela paz e segurança de toda a humanidade

O espírito humano pode e deve ser maior e mais forte que quaisquer ondas de violência

O embaixador Sergio Duarte contempla um dos paineis da exposição

O embaixador da ONU, Sergio de Queiroz Duarte, proferiu um discurso breve, mas não menos impressionante, durante a abertura da exposição Da Cultura de Violência para a Cultura de Paz, em exibição na Biblioteca Parque Estadual no centro do Rio de Janeiro. Suas palavras aludem ao conteúdo desta importante mostra que tem como objetivo contribuir para a reflexão e sugerir caminhos para um mundo pacífico.


 


É um prazer e honra para mim participar desta cerimônia de inauguração da exposição Da Cultura de Violência para a Cultura de Paz, organizada pela seção brasileira da Soka Gakkai Internacional. Um prazer porque embora há muitos anos eu já não resida mais no Rio de Janeiro, nasci nesta cidade, sempre maravilhosa e, cada vez que aqui venho, relembro tempos e amigos antigos. E é também uma honra porque deste 2007, quando servia nas Nações Unidas como Alto Representante para Assuntos de Desarmamento, iniciei uma frutífera relação de trabalho e amizade com a Soka Gakkai. Desde aquela época, participei de muitas atividades patrocinadas por essa organização em sua busca pela construção de uma sólida cultura de paz. Conheço em detalhe o trabalho dessa organização e compartilho plenamente seus propósitos e objetivos no que se refere à promoção da paz.


Não posso deixar de registrar minha admiração pelo trabalho que vem sendo realizado nesse sentido por essa entidade de caráter religioso, originada no Japão, mas cujo alcance ultrapassa crenças e fronteiras, unindo a comunidade humana e inspirando gerações. O trabalho da Soka Gakkai na capacitação da juventude para uma cultura de paz é impressionante, como tive ocasião de testemunhar pessoalmente no Centro Cultural em Nova York, na Universidade Soka da América, e na sede da organização mundial em Tóquio. Participei também, em 2008, da abertura dessa exposição na sede das Nações Unidas, em Genebra e, posteriormente, em companhia do Secretário Geral das Nações Unidas, de cerimônia semelhante no México, em 2009.


A paz e a segurança humana são objetivos fundamentais dos esforços das Nações Unidas no campo do desarmamento. Muitos de nós não levamos em consideração a importância da relação entre a cultura de paz e a necessidade de eliminar as armas de destruição em massa existentes no mundo, especialmente as armas nucleares. A segurança deve ser entendida como dirigida em primeiro lugar aos seres humanos e não primordialmente aos Estados. Nós, seres humanos, somos fatores e beneficiários da paz. Aos governos cabe zelar para que a paz seja duradoura e permanente, por meio da promoção de uma cultura voltada para a eliminação da violência nas relações entre indivíduos e entre Estados.


Há 61 anos, e julho de 1955, Bertrand Russel e Albert Einstein publicaram o famoso Manifesto em favor da paz e do desarmamento, que termina com as seguintes palavras: “lembremo-nos de nossa humanidade e esqueçamos o resto”.


No ano passado [2015] comemorou-se o 40º aniversário de fundação da Soka Gakkai Internacional [1975], que coincidiu com o 70º aniversário da ONU [1945]. Recordo aqui o trabalho pioneiro dos senhores Tsunesaburo Makiguchi e Josei Toda na fundação da instituição-mãe, no Japão em 1930. Para marcar a ocasião, em 2015, o presidente da SGI, dr. Daisaku Ikeda, escreveu sua proposta de paz anual, cujos pontos principais são a promoção da paz e da segurança, a solidariedade, o incentivo aos valores humanos e a eliminação do sofrimento em nosso planeta – objetivos que estão em perfeita consonância também com a realização da IX Conferência de avaliação do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. Durante essa Conferência foi lançado um “Compromisso Humanitário”, hoje subscrito por 127 países, inclusive o Brasil, que se comprometeram a “estigmatizar, proibir e eliminar” as armas nucleares devido aos riscos catastróficos e inaceitáveis que seu uso pode ocasionar. A Proposta de Paz [documento anualmente redigido pelo dr. Ikeda e enviado à ONU] é uma importante advertência à humanidade de que a paz e segurança não podem conviver com meios de destruição capazes de varrer da face da Terra a civilização tal como a conhecemos. Conforme o dr. Ikeda escreveu em sua Proposta: “a natureza desumana das armas nucleares é evidenciada por diversas perspectivas que se encontram acima e além de seu simples poder de destruição”.


Não admira que as organizações de orientação religiosa tenham continuamente apoiado o progresso no campo do fortalecimento da paz e da segurança humana. Recordo especialmente a histórica ocasião das Nações Unidas durante a Cúpula Mundial de Líderes Religiosos e Espirituais, em setembro de 2000. Numa declaração conjunta adotada nesse conclave, os participantes sublinharam que a humanidade se encontra em uma encruzilhada crítica de sua história, que exige forte liderança moral e espiritual capaz de ajudar e encontrar novo rumo para a sociedade. A declaração reconheceu ainda que guerras, violência e destruição são às vezes perpetradas em nome da religião, mas indicou numerosas formas pelas quais as religiões podem trabalhar construtivamente em conjunto e a serviço do bem estar da família humana e da paz na Terra. Entre essas várias maneiras de servir à família humana, os participantes concordaram em unir-se às Nações Unidas no chamamento a todos os Estados-Nação para trabalharem em prol da abolição universal das armas nucleares e outras armas de destruição em massa, em benefício da segurança e da vida no planeta.


Durante a importante Conferência Rio+20, realizada aqui no Rio de Janeiro em 2012, o público teve a oportunidade de contemplar um tanque de guerra coberto de pães, enfatizando o tema do dever de canalizar recursos usados para destruição para projetos destinados a atender às necessidades básicas de homens, mulheres e crianças em todo o mundo, principalmente nas regiões menos desenvolvidas.


Por isso estamos hoje aqui: para mais uma vez reafirmarmos nossa determinação de não medir esforços em prol do desenvolvimento de uma cultura de paz em substituição à violência. Neste momento crítico, em que vemos multiplicarem-se atos de terrorismo sectário que pregam a matança de inocentes em nome do obscurantismo e da intolerância, a humanidade precisa cada vez mais de uma sólida cultura de paz.


Um dos ilustres secretários gerais da INU, Dag Hammarskjold, disse certa vez: “A busca da paz não pode terminar em poucos anos com vitória ou derrota; com tentativas e erros; sucessos e fracassos. Não podemos jamais reduzir ou abandonar os esforços em busca da paz e do progresso da humanidade”.


Finalizo com o sincero desejo de sucesso aos dirigentes e amigos da Soka Gakkai no Brasil! Muito obrigado!!

Voltar para o topo

Outras notícias

Dezembro de 2016

Novembro de 2016

Setembro de 2016

Agosto de 2016

Mais notícias

Notícias + lidas

Sede Central da BSGI
Rua Tamandaré, 1007
Liberdade - São Paulo - SP
Brasil
CEP: 01525-001
Telefone
+55 11 3274-1800

Informações
informacoes@bsgi.org.br

Relações Públicas
rp@bsgi.org.br
Informações Gerais
Contatos
Newsletter

Redes Sociais
Facebook
YouTube
Instagram
Twitter
Sites Relacionados
Soka Gakkai Internacional
Daisaku Ikeda
Josei Toda
Tsunesaburo Makiguchi
Cultura de Paz
Editora Brasil Seikyo
CEPEAM
SGI Quarterly
Escola Soka do Brasil
Extranet BSGI