20 de November de 2023

Multiplicando conquistas por meio da prática budista!

No mês da Consciência Negra, a história de glórias de Norman Lilian Moreira Pires



Ser mulher num país cujo machismo estrutural mantém-se forte e estratificante já é um desafio diário. E ser uma mulher negra num Brasil que ainda mantém sequelas de preconceito e discriminação de 400 anos de escravidão é outra peleja indiscutível e, para muitas, quase que socialmente intransponível. Mas não para Norman Lilian, membro da BSGI há 36 anos.


Sua trajetória começa na cidade de Barretos-SP, distante 425 km da capital paulista, a partir da ousada decisão de sua mãe, Efigênia (in memorian). Por intermédio de uma amiga que, vendo a profunda tristeza estampada em seu semblante, escreveu num pedaço de papel NAM-MYOHO-RENGE-KYO, o poderoso mantra do budismo Nichiren, entregando-o em seguida com a seguinte informação verbal: “se orar esse mantra, será feliz”. “Minha mãe ensinou todos os 7 filhos e, todas as mulheres da casa, passaram a recitar o mantra diariamente. Eu tinha 15 anos”, contou Norman.


Não demorou muito para que a situação caótica da família começasse a mudar. Desde a condição financeira até a harmonia familiar foram se estabilizando. Nesta época, eu era muito tímida e sentia uma necessidade muito grande de orar”, explicou NormanQuando solteira, atuou no Núcleo Jovem Feminino e foi nessa época que conheceu seu marido, aos 16 anos. Norman conta que, em um ano, namoraram, noivaram e casaram. No dia de seu casamento, o marido comunicou-a que jamais aceitaria sua prática budista. Em vez de desistir, Norman decidiu: “Depois eu o convenço”.


Obviamente não foi algo simples. Proibida de ser budista, só restou à jovem e apaixonada Norman esconder-se e realizar sua prática budista nas sombras. Por longos 16 anos! “Jamais abandonei a prática. Lia as publicações, jornais e revistas, levadas pela minha mãe e pela minha cunhada. Anotava num caderno o que mais me tocava e orava o mantra pelo menos cinco horas por dia”, relatou. Era sua maneira manter-se conectada ao budismo que tanto lhe fazia bem. Para contribuir com as atividades da BSGI, confeccionava lembrancinhas para a comunidade. Ensinou o Nam-myoho-renge-kyo às filhas, antes mesmo de alfabetizadas já sabiam orar tanto o mantra como os capítulos Hoben e Juryo do Sutra do Lótus (oração mais longa que muitos adultos levam anos para aprender).


Houve períodos na vida de Norman em que precisou ser criativa e encontrar outras formas de orar escondida. Quando seu marido ficava desempregado, ela saía para orar caminhando. Inconformada com aquela circunstância, passei a frequentar escondida reuniões da BSGI. Fui vencendo esse obstáculo aos poucos. Quando completei 30 anos determinei mudar a minha condição e vencer quaisquer desafios por meio da fé e esperança no coração”, enfatizou.


A virada


O ano de 2004, marcou a vida de Norman como o momento da grande reviravolta, transformando todo o sofrimento na mais pura alegria. Foi nesse ano que ela convenceu seu marido a assinar a ficha de adesão de membro da BSGI, permitindo que ela acolhesse, em seu lar, o objeto de devoção budista: o Gohonzon.


Venci!”, bradou. Junto com suas preciosas filhas, Norman foi a Ribeirão Preto-SP, a cidade mais próxima onde havia um Centro Cultural da BSGI e, no dia 18 de dezembro de 2004, Norman recebeu o tão aguardado e almejado Gohonzon. No mesmo dia suas filhas também se converteram “Foi maravilhoso! No dia seguinte, prestei o meu primeiro concurso público e fui aprovada”, contou emocionada


E, enquanto aguardava a chamada, ingressou em seu primeiro emprego aos 34 anos, numa fábrica, fazendo parte da equipe de limpeza. “Com apenas nove meses de trabalho fui promovida a chefe de produção e tive a oportunidade de conquistar a minha CNH!”, exultou. 


Depois disso, não demorou para a Prefeitura chamá-la para assumir o posto a que se candidatara: merendeira. “Cozinhava e servia comida para 250 alunos a cada período. Orava o mantra visando a prosperidade e felicidade de cada um na hora de servi-los, pois lembrava que na minha infância, a merenda escolar era, muitas vezes, a nossa melhor refeição. Nessa escola tive a oportunidade de terminar o Ensino Médio, pois quando me casei, interrompi os estudos”, contou Norman.






Novos desafios


Em 2011 prestou outro concurso e foi aprovada para atuar no Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). E, em 2012, conquistou uma bolsa de estudos para cursar Direito. E, um mês após me formar, em 2017, já trabalhava na área Jurídica como analista de processo no Fórum Trabalhista.


No ano de 2019 foi convidada a ser a primeira Assessora de Análise da JUCESP de Barretos.Em 2022 fui convidada a fazer parte da comissão da Mulher da OAB Barretos!”, exultou novamenteE, este ano, foi homenageada como Mulher Negra 2023, com votação de 100% da presidência da OAB Barretos em um evento promovido pela OAB e COMIR - Conselho Municipal de Igualdade Racial.


Hoje, com suas filhas criadas e casadas com homens de valor orgulha-se em dizer que todos têm como base de suas vidas a filosofia humanística da Dignidade da Vida do Budismo de Nichiren Daishonin. “E minha neta de um ano e seis meses, presta atenção nas reuniões e adora participar das orações”, relata com orgulho.


Mudei totalmente a minha condição de vida com a prática do budismo Nichiren. E tenho uma profunda gratidão à BSGI pelas conquistas e reconhecimentos inimagináveis. Quero me dedicar eternamente aos ideais Soka que são a minha grande paixão”, enfatizou.


Ela encerra com o texto que sempre a incentivou, que é um trecho do poema épico do recentemente falecido, presidente da SGI, dr. Daisaku Ikeda :


Não faz mal que seja pouco,
O que importa é que o avanço de hoje
Seja maior que o de ontem
Que nossos passos de amanhã
Sejam mais largos que os de hoje
Atuem agora e vivam o presente
Com a certeza de que neste exato instante
Está se erguendo o futuro
Deixem seus méritos gravados
Na história de suas contínuas vitórias!
A dificuldade no momento presente
Será a glória em seu futuro!”



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