10 de Novembro de 2016

Oração e devoção

Uma breve explanação sobre um dos conceitos mais fundamentais da prática budista

A flor de lótus: simbolo do budismo

O Budismo de Nichiren Daishonin é revolucionário, pois coloca nas mãos de cada pessoa a chave para manifestar o Estado de Buda na presente existência e em sua forma atual. Bem diferente de praticamente todas as outras correntes religiosas que creem em uma vida melhor e mais feliz somente em outro plano de existência. Mas alerta: embora possível não é fácil. Superar a sua própria descrença em si e passar a entender, em toda sua plenitude, a beleza do potencial que cada vida humana carrega é a parte mais difícil do processo.


Nichiren Daishonin, em pleno século 13, deixou escritos impressionantemente atuais. Suas palavras – cada uma delas – parecem ter sido redigidas há pouco tempo. No âmago destes ensinamentos encontramos o Nam-myoho-renge-kyo, que é a essência do Sutra de Lótus, o mais elevado ensino de Shakyamuni, o fundador do budismo. Por meio da prática budista, que consiste em recitar o Nam-Myoho-Renge-Kyo diariamente, é possível as pessoas ativarem uma suprema energia dentro de suas vidas, capaz de transformar todo o seu mundo e o seu entorno e, dessa forma, experimentar uma vigorosa e impressionante transformação.


Shakyamuni, o fundador do budismo, viveu há 2.500 anos na Índia. Ele primeiro despertou para essa Lei a partir de um anseio compassivo de encontrar os meios para permitir a todos libertarem-se dos sofrimentos inevitáveis da vida. É por isso que ele é conhecido como Buda, ou "Desperto". A partir desse despertar, compreendeu a capacidade de transformar o sofrimento inato à sua própria vida, de forma a erradicá-lo e, além disso, reverberar essa transformação em todo o ambiente que o cerca.


Vários séculos após o falecimento de Shakyamuni, em meio à turbulência do século 13 no Japão, Nichiren iniciou sua jornada com o objetivo de recuperar a essência do budismo. Ele desejava encontrar um alento, uma fé que pudesse por fim ao sofrimento do povo. Nam-myoho-renge-kyo é, portanto, um voto, uma expressão de determinação. É abraçar e manifestar a nossa natureza de Buda. É um juramento a si mesmo de nunca ceder às dificuldades e suplantar todo sofrimento. Ao mesmo tempo, é um voto de devoção para disseminar essa verdade com a finalidade de revelar a outros sobre essa lei e, assim, possibilitar a todos o poder de manifestar em suas vidas o potencial de buda.


 


Um profundo significado


Os caracteres chineses individuais que compõem Myoho-renge-kyo expressam as principais características desta lei. Nam é uma corruptela de Namu, quesignifica devotar-se. Myo pode ser traduzido como místico ou maravilhoso, e ho significa lei. Esta lei é chamada mística porque é difícil de compreender. O que exatamente é difícil de compreender? É a maravilha que faz com que pessoas comuns, vítimas costumazes da ilusão e do sofrimento, despertem para o potencial fundamental de suas vidas, fazendo emergir de dentro de si a sabedoria e a compaixão para perceber que eles são inerentemente Budas, capazes de resolver seus próprios problemas e os dos demais.


Renge significa flor de lótus, é uma metáfora que engloba outro dado importante sobre as qualidades desta Lei Mística. A flor de lótus é pura e perfumada, imaculada pela água barrenta em que ela nasce. Da mesma forma, a beleza e a dignidade da nossa a humanidade é trazida em meio aos sofrimentos da realidade diária. Além disso, diferente de outras plantas, o lótus consegue fazer surgir fruta e flor ao mesmo tempo. Na maioria das plantas, a fruta se desenvolve somente após a flor. Isso ilustra o princípio da simultaneidade de causa e efeito: neste budismo, não é preciso esperar se tornar alguém perfeito em uma existência futura, é possível levar adiante o poder da Lei Mística de dentro nossas vidas no presente momento.


Kyo significa literalmente sutra e aqui indica a Lei Mística comparada a uma flor de lótus, a lei fundamental que permeia vida e o universo, a verdade eterna. O caráter chinês kyo também serve à ideia de "fio". Quando se trabalha em um tear, em primeiro lugar, são estendidas as linhas verticais, que representam a realidade básica de vida. Eles são o quadro estável através do qual as linhas horizontais são tecidas. Estas linhas horizontais, por sua vez, representam as atividades variadas do nosso cotidiano, são o padrão do tecido, dando cor e variação. O tecido de nossas vidas é composto tanto por uma fundamental e duradoura verdade, bem como pela realidade agitada de nossa existência diária com a sua singularidade e variedade.


Estas são algumas das maneiras com que o Myoho-renge-kyo descreve a Lei Mística, da qual nossas vidas são uma de suas expressões. Entoar o Nam-myoho-renge-kyo é um ato de fé na Lei Mística e na magnitude da vida repleta de múltiplas possibilidades. Em seus escritos, Nichiren enfatiza a primazia da fé. A Lei Mística é a força ilimitada inerente à vida. Acreditar na Lei Mística e entoar o Nam-myoho-renge-kyo é ter fé em seu ilimitado potencial. Não é uma frase mística que traz poder sobrenatural, nem é o Nam-myoho-renge-kyo uma entidade que transcende a nós mesmos. É trazer para si a mais pura energia fundamental da vida, honrando a dignidade e as possibilidades ilimitadas de nossas incríveis e maravilhosas vidas. 

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